domingo, 23 de novembro de 2008

Cena 3: O Riso


"Rimos como se fôssemos dois:um que age e outro, que ao ver a estuídez e as bobagens deste um, que é ele mesmo, ri. (...) Rimos porque é bom e isso basta."

O riso pressupõe uma relação de cumplicidade e o conhecimento de inúmeras e sutis informações prévias. É possível rir em qualquer lugar: num velório, num batizado, dentro de uma cela de prisão...mas o riso só se instala quando faz sentido para um grupo. Um contador de piadas em fstinhas sabe que pode errar se não estiver muito atento ao ambiente. A mesma piada pode ser um sucesso ou se transformar na mais constrangedora gafe... Há um ditado que diz - não fale de corda na casa do enforcado, que exemplifica essa questão. Contar uma piada política ou histórica para quem não conhece os personagens ou não entende de política, nem de história é acabar tendo que explicar a piada....Ser obrigado a explicar a piada é das coisas mais se graça que pode acontecer a um cômico.. 
O riso é o resultado de complexas associações e conexões cerebrais, mesmo quando rimos de uma simples careta. Se rimos de alguém com a cara propositadamente deformada é porque nosso cérebro é capaz de de compará-la a um rosto harmonioso e podemos compreender e imaginar os movimentos necessários para chegar àquela deformação. Ela pode nos lembrar um animal ou alguém que conhecemos ou podemos ainda estar nos deliciando com a capacidade de transformação facial do outro. Bem, confessemos que nem toda careta leva ao riso...algumas são óbvias demais, outras estão sendo feitas em momento não apropriado.. É preciso uma grande conjunção de fatores para que possamos rir de "uma simples careta". A principal função do riso é nos recolocar diante da nossa mais pura essência: somos animais. 

"Nem deuses, nem semi-deuses...meras bestas tontas que comem, bebem, amam e lutam desesperadamente para sobreviver. A consciência disso é que nos faz únicos, isto é, humanos." 


[Imaginarium]

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