
por Tessy Hernandez
Quem não desejaria parar o tempo num estralar de dedos e tomar controle da situação? Bem, as vezes nem tudo tem solução de cinema...
Tão normal após um acidente, (no caso em questão, de carro) em que você poderia não estar relatando essas palavras por não estar mais vivo...é refletir sobre a vida e ela ganhar uma dimensão difícil de ser descrita. O momento assemelha-se a uma cena cinematográfica... a visão dos faróis do carro se aproximando (o acidente ocorreu à noite), o momento da mente processando o que vai acontecer, mas procurando aquilo que seria um último pensamento, o corpo sem reação tomado pelo medo.... e de repente, um som assustador (que seria o momento da batida) que te deixa confuso e faz perder a noção do que está acontecendo...talvez apenas seu grito seja algo que lhe dê a consciência de que ainda está vivo e a motivação necessária para se defender. Tudo isso numa fração de segundo. E nessa fração pessoas, momentos, tudo vem à mente confusa pelo susto. É nesse momento.. o tempo está parado...um silêncio angustiante, nada acontece.....
Você então sai lentamente do estado de "hipnose" e lembra de respirar...o sentimento?.. ter nascido de novo. Vem a pergunta: "Meu Deus (acho que até sendo ateu), o que aconteceu? o que está acontecendo...?" Não há dor...apenas sua lógica tentando entender o que se passa...Com os olhos bem abertos, você suspira...respira fundo......está vivo... Você chora, agradece, respira fundo novamente... a única e preciosa vida nunca esteve tão valiosa e "escorregadia" quanto nesses segundos... A dor aparece e se transforma em dores... mas você só se importa em pensar que está vivo... Você começa a pensar nas coisas que poderia nunca mais poder realizar... coisas que te tocam e inspiram....vc pensa nas pessoas que poderia nunca mais poder ver ou te ver outra vez, pessoas que te fazem uma pessoa melhor, aquelas que você daria a vida ou as que você tem significado e talvez nem saiba...Você pensa, e isso te dá a certeza de que poderá continuar existindo...mas agora as coisas estão diferentes, estranhas, sutilmente, mas perceptivelmente.....tão reais.
Nos primeiros dias (no caso de ferimento leves, sem fraturas) o sono é prejudicado pelas dores musculares que se vão sem pressa e por flashes da cena do acidente que insistem em se projetar como uma cena marcante de um filme, nesse caso de terror. Um número de telefone, o asfalto, os carros em movimento, os faróis, o trânsito a noite...esse relato..fazem lembrar o acidente. Você prefere não estar só, você quer ver pessoas, principalmente aquelas pessoas...sim, aquelas pessoas que selecionaria caso tivesse de se despedir(ou pudesse..). Você quer ouvir essas pessoas, falar com elas, qualquer coisa...apenas sentir o prazer de ter a oportunidade de ouvi-las. O que antes era ignorado agora tem um valor...os abraços são mais apertados, os sorrisos mais alegres...dizer "Te Amo, viu?" já não precisa de malabarismos... o que antes eram problemas enormes não passam de meros detalhes que se consertam... Observar mais vira um passatempo gostoso e nunca as batidas do coração chamaram tanta atenção... você se deleita com cada pulsar, e não se incomoda em passar horas e horas sentindo-se assim...vivo.
[Imaginarium]



