segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A MÚSICA DO FILME - PARTE 2


Ao passar do tempo surgiu a necessidade do cinema adquirir material musical, para funcionar como acompanhamento, fazendo com que compositores desempenhassem o papel de diretores musicais em algumas produções. Adaptavam, selecionavam e escreviam arranjos musicais para os filmes. Diretores desejavam ter arranjos exclusivos para suas produções. Um fime em silêncio(referindo-se ao cinema mudo) passou a ser "visto" também com os ouvidos. A música ditando o clima do que era visto e guiando as emoções. Ainda na década de 1910, livros de partituras continham seleções de músicas voltadas às apresentações cinematográficas. Os music fake books (ivros de música falsa), coletâneas de trecho de clássicos facilitavam a vida do diretor musical de cinema, com temas organizados por assunto, como: cenas de horror, humor, caçada, impaciência, temas de amor, monotonia etc.
No Brasil, destaca-se o compositor Heitor Villa-Lobos. Sua experiência mais estreita com o cinema aconteceu após a Primeira Guerra Mundial, quando chegou a tocar(violoncelo) na orquestra do mestre da música brasileira, Ernesto Nazareth, que costumava acompanhar filmes americanos de cinema mudo no Cine Odeon, no Rio de Janeiro. "Apesar de seguirem as orientações do diretor musical, acompanhando as seqüências do filme com músicas planejadas para os momentos determinados, durante os longos intervalos as bandas costumavam tocar música brasileira popular, como chorinho, não importasse o gênero do filme", explica Berchmans.
Os filmes mudos vivenciaram seu momento glorioso... mas ainda havia grande espaço para se criar um sistema viável de gravação e sincronismo de som com a imagem do filme. O dia 6 de agosto de 1926 marca a estréia da primeira trilha sonora oficialmente composta para um filme e sincronizada com ele. O filme é Don Juan, de John Barrymore. 
Como diz Berchmans, "...o uso do som revolucionou o modo como se pensava o cinema até então. Além da música, os personages literalmente ganharam voz e o mundo ao seu redor passou a ser audível." O modo de se contar uma história não era mais o mesmo, assim como o processo de composição musical. Em 1927, as primeiras palavras gravadas foram ouvidas saindo de um filme, "O Cantor de Jazz", estrelado por Al Johnson no mesmo ano. Estúdios de cinema, como o Fox e a RCA desenvolveram seus sistemas sonoros, acelerando o processo de transição do filme mudo para o sonoro, e determinou padrões técnicos comuns. O impacto entre os filmes sonoros e os filmes mudos era tal que, em 1929, a Academia de Cinema de Hollywood excluiu todos os filmes sonoros ao conceder o primeiro prêmio Oscar, com a justificativa de que seria uma competição desigual. Contudo, isso não conteve a explosão da nova tecnologia de som e os filmes sonoros passaram a dominar as premiações, marcando a história da sétima arte. 

Tessy H. [Imaginarium]

VIDEOS (de Tony Berchmans) -  Assista a incrível história de "Lupcínia" (http://br.youtube.com/watch?v=0OLc3VgwdKk&NR=1) e "Leda"!       ( http://br.youtube.com/watch?v=EBDmdXw88fs&watch_response)

(Fonte utilizada: Livro "A música do filme" de Tony Berchmans.)

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